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ExpoCarpina busca recolocar a Mata Norte de Pernambuco no mapa dos negócios do agro

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Em um momento em que o agronegócio brasileiro volta a ganhar tração, feiras regionais têm retomado relevância como plataformas de negócios, reputação e circulação de capital no interior do país. Em 2025, o PIB da agropecuária cresceu 11,7% no Brasil, alcançando R$ 775,3 bilhões, segundo dados divulgados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária com base no IBGE. Nesse contexto, a ExpoCarpina tenta ampliar sua estatura para além do calendário local e reforçar o papel da Mata Norte pernambucana como polo de articulação do setor.

A movimentação ganha peso adicional em Pernambuco. De acordo com dados reunidos pelo Mapa, o agronegócio responde por cerca de 5% do PIB estadual, o equivalente a mais de R$ 13 bilhões por ano, e envolve aproximadamente 10% da mão de obra ocupada no estado. Em um ambiente em que competitividade, escala regional e presença de mercado se tornam cada vez mais decisivos, eventos agropecuários deixam de ser apenas vitrines setoriais e passam a operar como ativos econômicos e institucionais.

Marcada para acontecer entre 22 e 26 de abril de 2026, no Parque Senador Paulo Guerra, a 47ª ExpoCarpina chega com uma programação voltada à pecuária e ao circuito equestre. Registros de entidades do setor e do calendário oficial de exposições indicam agenda para bovinos, ovinos e cavalos no evento, incluindo a exposição especializada do Mangalarga Marchador entre 23 e 25 de abril e remates previstos dentro da programação da feira.

É nesse reposicionamento que ganha protagonismo o empresário e influenciador Lutz Brito, conhecido como “Boi no Pix”, apontado por interlocutores do evento como um dos nomes mais ativos na mobilização da ExpoCarpina. Sua atuação ajuda a ilustrar uma transformação mais ampla do agro regional: a de que grandes feiras já não dependem apenas da tradição dos parques de exposição ou da qualidade dos remates, mas também da capacidade de construir audiência, engajamento e visibilidade para atrair produtores, investidores e marcas.

Na prática, a estratégia amplia o alcance da feira e reforça um movimento que vem se consolidando em diferentes mercados: o da convergência entre economia real e influência digital. Em vez de se limitar à lógica tradicional de exposição, a ExpoCarpina tenta se apresentar como um ponto de encontro entre liquidez pecuária, relacionamento comercial e ativação de imagem para uma região que busca maior protagonismo econômico dentro do estado.

A estrutura do evento também procura equilibrar duas camadas de interesse. De um lado, estão os leilões e negociações de maior valor agregado, que reúnem criadores e expositores voltados a genética, reposição e visibilidade de plantel. De outro, a feira preserva espaço para negócios locais e para a economia de entorno, numa dinâmica que costuma beneficiar comércio, serviços, logística e fornecedores da cadeia agropecuária. Esse desenho ajuda a explicar por que exposições desse porte seguem relevantes mesmo em um setor cada vez mais digitalizado.

A governança da feira está sob a presidência de Júnior de Val, com João Borba na presidência de honra, além da participação de nomes ligados à operação técnica e à articulação empresarial da região. O objetivo, segundo o desenho apresentado pelos organizadores, é consolidar a ExpoCarpina como uma plataforma de convergência entre tradição pecuária, negócios e influência regional, com capacidade de reunir grandes investidores e produtores de menor escala no mesmo ambiente de circulação econômica.

A base produtiva do estado sustenta essa ambição. Em 2024, Pernambuco registrou 2.653.403 cabeças de bovinos e 133.970 equinos, segundo o IBGE, números que ajudam a dimensionar a importância de eventos voltados à pecuária e ao mercado de animais no estado. Mais do que uma agenda simbólica, a feira se ancora em uma cadeia produtiva concreta, com massa crítica para gerar negócios, networking e projeção regional.

Ao tentar reposicionar Carpina como vitrine da Mata Norte, a ExpoCarpina espelha um movimento mais amplo do agronegócio brasileiro: o fortalecimento de polos intermediários capazes de transformar tradição local em ativo econômico. Para uma região que historicamente busca ampliar sua capacidade de retenção de investimentos, o sucesso da feira passa menos pelo apelo festivo e mais pela habilidade de converter visibilidade em negócios recorrentes, reputação setorial e densidade empresarial.

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