O Brasil tem regra escrita desde 2020 para separar escola bilíngue, escola com currículo internacional e ensino de idiomas ampliado. Em Santa Catarina, a norma existe desde 2016 e alcança até o nome que a escola pode usar. Poucas famílias sabem que essa régua existe, e é ela que deveria orientar a escolha
O Brasil tem regra escrita desde 2020 para separar escola bilíngue, escola com currículo internacional e ensino de idiomas ampliado. Em Santa Catarina, a norma existe desde 2016 e alcança até o nome que a escola pode usar. Poucas famílias sabem que essa régua existe, e é ela que deveria orientar a escolha.
O mercado brasileiro de educação bilíngue e internacional cresceu rápido o suficiente para criar um problema de vocabulário. Segundo a ABEBI (Associação Brasileira do Ensino Bilíngue), o país já passa de 1.200 escolas bilíngues, cerca de 3% da rede privada, com expansão de dois dígitos em poucos anos.
O que quase nenhuma família sabe é que existe uma régua oficial para separar o que cada uma dessas escolas pode se chamar. Em nível federal, ela está no Parecer CNE/CEB nº 2/2020 e na Resolução CNE/CEB nº 1/2021, do Conselho Nacional de Educação, que criaram categorias distintas de instituição, com exigências distintas de carga horária, formação docente e projeto pedagógico. Em Santa Catarina, o Conselho Estadual de Educação chegou antes: a Resolução CEE/SC nº 087/2016, fundamentada no Parecer CEE/SC nº 200/2016, normatiza a oferta de Escola Bilíngue e Escola Internacional no sistema estadual de ensino e condiciona até o uso dessas expressões na denominação da instituição. Quem não atende aos requisitos não pode se apresentar como uma delas.
Qual a diferença entre escola bilíngue e escola internacional?
Pela norma federal, escola bilíngue é a que dedica de 30% a 50% da carga horária à língua adicional na Educação Infantil e no Ensino Fundamental, com mínimo de 20% no Ensino Médio, de forma integrada ao currículo. Escola internacional, ou escola brasileira com currículo internacional, é outra categoria: ela segue o currículo de um organismo ou país de origem, com matriz, avaliação e certificação próprias, além de cumprir a legislação educacional brasileira. São modelos diferentes de formação, não graus da mesma coisa.
O que a lei brasileira exige de uma escola para ela se chamar bilíngue?
Além da proporção de carga horária, a norma exige que a língua adicional funcione como veículo de aprendizagem de conteúdos curriculares, e não como disciplina isolada. É nesse ponto que boa parte do mercado se enquadra, na regulação, em outra categoria: a de escola com carga horária estendida de língua adicional, cujo piso é de três horas semanais. Na prática, muitos programas vendidos como ensino bilíngue são, pela régua oficial, inglês ampliado.
O que é uma escola com currículo internacional?
É a instituição autorizada por um organismo internacional a oferecer um currículo definido por esse organismo, do desenho da matriz à formação dos professores. O exemplo mais conhecido é o IB (International Baccalaureate), presente em mais de 160 países. No Brasil, levantamentos do setor estimam cerca de 90 escolas ligadas ao IB, entre autorizadas e candidatas a algum de seus programas: um universo muito menor do que o das escolas bilíngues, justamente porque a exigência é de outra ordem.
Como saber se a certificação internacional de uma escola é real?
Certificação internacional não é selo vitalício. Os programas do IB, por exemplo, passam por reavaliação periódica, com visita de verificação, auditoria externa e exigência de formação continuada dos professores. A autorização de cada escola e de cada programa é pública e pode ser conferida no diretório oficial da organização (ibo.org). É esse ciclo contínuo que separa uma credencial de um logotipo no site.
A Valley International School, de Itajaí (SC), autorizada a oferecer o Primary Years Programme desde 2021 e o Diploma Programme desde 2024, passou recentemente por uma dessas avaliações periódicas, parte da rotina obrigatória de quem opera o currículo.
“A avaliação não termina na autorização. A escola passa por um processo de avaliação complexo periodicamente, com devolutivas que orientam os ciclos seguintes. É um processo de melhoria contínua, não um carimbo”, afirma Augusto Dantas, coordenador do Primary Years Programme da escola.
O que os pais devem perguntar na visita à escola?
Quatro perguntas resolvem a maior parte da confusão. Em qual categoria da regulação a escola se enquadra: bilíngue, currículo internacional ou carga horária estendida? Qual a proporção da carga horária em língua adicional, e em quais componentes? Qual organismo certifica o currículo, e desde quando a autorização vale? E quando foi a última reavaliação? As respostas existem, são documentais e, no caso das certificações internacionais, públicas. A régua já foi escrita pelo poder público e pelos organismos certificadores. O que falta, na maioria das escolhas, é o hábito de usá-la.
A Valley International School é uma Escola Mundial do IB. Escolas Mundiais do IB compartilham uma filosofia comum: o compromisso com uma educação internacional de alta qualidade, desafiadora, que a Valley International School considera importante para seus alunos. Apenas escolas autorizadas pela Organização do IB podem oferecer qualquer um de seus quatro programas acadêmicos. Para mais informações sobre o IB, autorizações e seus programas, visite www.ibo.org.




