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Quando estética encontra acolhimento: como duas especialistas têm reposicionado o cuidado feminino no interior paulista

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# Quando estética encontra acolhimento: como duas especialistas têm reposicionado o cuidado feminino no interior paulista

Há um silêncio que muitas mulheres carregam por anos antes de procurar uma clínica de estética. É o desconforto que não vira conversa de roda, a dor que não cabe na consulta médica, a vergonha que aparece em momentos íntimos e some no resto da rotina. Em paralelo a esse silêncio, o mercado brasileiro de estética se transformou em uma das áreas que mais cresce no país. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (ABIHPEC), o Brasil ocupa a 4ª posição no ranking global do setor de beleza, movimentando mais de R$ 100 bilhões por ano. O paradoxo se desenha aí: o mercado cresce, mas a forma como a paciente é ouvida nem sempre acompanha esse crescimento.

É nesse vão entre o boom do setor e a necessidade de cuidado individualizado que se posiciona a Clínica Donaii, em Paulínia, no interior de São Paulo, conduzida por Tatiane Ribeiro, enfermeira esteta (COREN-SP 283037), e Cláudia Gomes, micropigmentadora paramédica e acadêmica de Biomedicina. Especializada em três frentes que, juntas, cobrem boa parte das demandas estéticas que a paciente brasileira raramente verbaliza, harmonização íntima, harmonização facial e micropigmentação paramédica para reconstrução de aréola após mastectomia, a clínica se diferencia por uma escolha clínica antes de tudo metodológica: nada é padronizado.

Para Tatiane Ribeiro, a frente da harmonização íntima é onde mais se observa o efeito de quebrar tabu. “A harmonização íntima ainda carrega muitos tabus, principalmente por falta de informação. Na prática, não se trata de padrão estético, mas de bem-estar, funcionalidade e qualidade de vida”, afirma. Segundo a especialista, a indicação aparece quando há impacto físico ou emocional na vida da paciente, situações como flacidez decorrente de envelhecimento, pós-parto ou emagrecimento, perda de volume dos grandes lábios, hipertrofia dos pequenos lábios com desconforto em relações ou ao usar roupas, e escurecimento que gera bloqueio na intimidade. “A maior transformação não é visível, é sentida”, resume.

O ponto que diferencia um procedimento bem executado de um resultado insatisfatório, segundo Tatiane, não está mais na tecnologia disponível, mas no critério clínico. “Com o avanço das técnicas, o problema não é mais o que fazer, e sim como, quando e em quem fazer. O erro mais comum hoje é o excesso. O bonito é o discreto”, argumenta. A leitura conversa com uma preocupação que circula no setor de estética e ganhou espaço inclusive na imprensa internacional: a popularização da harmonização facial trouxe junto a padronização e o exagero, e hoje parte do trabalho do especialista é proteger a paciente do que ela acha que quer.

Na harmonização facial, a abordagem segue o mesmo princípio. A clínica trabalha com cefalometria para análise das dimensões da face, divisão dos terços faciais para identificar desproporções e protocolos personalizados que combinam técnicas e tecnologias diversas, em vez de apostar em um único procedimento isolado. “Para preservar a naturalidade e a individualidade, é preciso analisar o formato da face e ver se é possível chegar ao formato que vai trazer harmonia. Não existe paciente igual ao outro”, explica Tatiane. A defesa é da abordagem progressiva: “menos é mais, sempre. Prefiro evoluir em etapas do que exagerar em uma única sessão”.

A terceira frente da clínica é talvez a mais simbólica. A micropigmentação paramédica para reconstrução de aréola, voltada a mulheres que passaram por mastectomia, é conduzida por Cláudia Gomes. O procedimento é tratado pela especialista menos como um trabalho técnico e mais como um capítulo final de uma jornada que começou no diagnóstico do câncer. “A micropigmentação paramédica é mais do que estética. É devolver identidade, autoestima e pertencimento ao próprio corpo”, afirma. A clínica trabalha com dermopigmentação 3D, recriando nuances de cor, profundidade e textura por meio de camadas de pigmentos e mistura personalizada de tons.

O atendimento de pacientes oncológicas exige protocolo distinto. Só após liberação médica a clínica inicia o processo, com avaliação individualizada que considera histórico da paciente, tipo de pele e estágio de cicatrização. “Para muitas mulheres, a jornada contra o câncer é repleta de desafios, e a mastectomia pode deixar marcas profundas, físicas e emocionais. A reconstrução areolar é uma etapa crucial na reabilitação, ajudando a restaurar a confiança e o amor próprio”, explica Cláudia. Segundo ela, é o ponto em que a estética cumpre função clínica e emocional ao mesmo tempo, oferecendo, nas suas palavras, “sensação de completude e alívio emocional, possibilitando o regresso do que foi perdido e a celebração da vida”.

O fio condutor entre as três frentes da clínica é menos a técnica e mais a postura. Em um setor em que o discurso de transformação rápida costuma vender mais que o de transformação consistente, a aposta da Donaii é uma escuta que precede o procedimento. “Cada paciente tem uma história, uma dor e uma expectativa. Nada é padronizado”, afirma Tatiane. Para Cláudia, vale para a aréola tatuada com pigmentos quase invisíveis tanto quanto para a vulva harmonizada com proporção: “o objetivo vai além da estética. É proporcionar um resultado realista, harmônico e respeitoso com a história de cada mulher”. 

Quando bem indicada, e principalmente bem conduzida, a estética deixa de chamar atenção. E volta a fazer o que se espera dela: dar à mulher a chance de se reconhecer no próprio corpo, sem ruído.

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