Nutróloga destaca que a perda de peso saudável vai além dos números na balança e exige alimentação adequada, treino de força e acompanhamento médico individualizado
O processo de emagrecimento envolve muito mais do que a redução dos números na balança. Preservar a massa muscular é um dos principais cuidados para garantir resultados saudáveis e duradouros, evitando consequências que podem comprometer a saúde, o metabolismo e a qualidade de vida. A nutróloga Dra. Aline Curcio (CRM 222566-SP) chama a atenção para a importância de adotar estratégias que priorizem não apenas a perda de gordura, mas também a manutenção da musculatura ao longo de todo o processo.
Segundo a médica, o emagrecimento sem perda significativa de massa muscular depende de uma combinação de hábitos que precisam fazer parte da rotina do paciente. Entre eles, estão a prática de musculação pelo menos três vezes por semana e o consumo adequado de proteínas. “Sempre falo para meus pacientes que milagre não existe. Para o processo de emagrecimento acontecer sem perda de massa muscular, é necessária uma lição de casa: treino de força e uma dieta hiperproteica”, explica.
A preocupação não é apenas estética. A perda muscular durante um emagrecimento acelerado pode trazer consequências importantes. Entre os principais riscos, a especialista destaca o efeito sanfona, a flacidez, a osteoporose e a sarcopenia, condição caracterizada pela redução da massa e da função muscular. O comprometimento da musculatura também pode favorecer sintomas como cansaço, tontura e indisposição, além de aumentar o risco de deficiências nutricionais.
Para identificar se o paciente está perdendo gordura ou também massa muscular, existem ferramentas que auxiliam na avaliação da composição corporal. Uma das mais utilizadas no consultório é a bioimpedância, exame rápido e indolor que estima os níveis de gordura, músculo e água no organismo. Dra. Aline conta que costuma realizar essa avaliação quinzenalmente em pacientes que estão em processo de emagrecimento, permitindo acompanhar a evolução e ajustar a estratégia sempre que necessário.
Quando o assunto é atividade física, a médica é enfática ao defender a musculação como parte fundamental do tratamento. “É inegociável”, afirma. O treinamento de força contribui para a preservação da musculatura e deve estar associado a uma alimentação equilibrada, respeitando as necessidades individuais de cada pessoa.
Outro ponto de atenção são os erros alimentares e comportamentais que podem comprometer os resultados. Entre eles, a especialista destaca o hábito de deixar de comer com o objetivo de acelerar a perda de peso. Para ela, a restrição alimentar excessiva pode produzir o efeito contrário ao desejado, favorecendo a perda muscular e dificultando a manutenção dos resultados. Também chama a atenção para comportamentos impulsivos relacionados à alimentação, especialmente em momentos de estresse e desgaste emocional.
Dietas muito restritivas, embora possam provocar uma redução inicial do peso, nem sempre representam uma estratégia sustentável. De acordo com a nutróloga, a perda de peso à custa da musculatura pode resultar em redução da força, piora do desempenho físico, fadiga, desânimo e indisposição. Além disso, a diminuição da massa muscular pode contribuir para uma redução do gasto energético em repouso, dificultando a manutenção do peso e favorecendo o chamado efeito rebote.
Nesse cenário, o acompanhamento médico individualizado assume papel central. A estratégia deve considerar a rotina, as necessidades nutricionais, os exames laboratoriais e a composição corporal de cada paciente. Entre os cuidados estão a definição de uma meta diária de proteínas, a orientação sobre treinamento de força, a indicação de suplementação quando necessária e o monitoramento periódico por meio de exames e bioimpedância.
A médica também ressalta que o processo de emagrecimento envolve aspectos psicossociais e comportamentais, que precisam ser considerados durante o tratamento. “Sempre digo aos pacientes que fazem acompanhamento médico que não estão mais sozinhos. A partir da conduta médica, combinada com o paciente que se propõe a realizar o combinado, o emagrecimento será saudável”, destaca.
Para Dra. Aline Curcio, o verdadeiro resultado de um emagrecimento bem conduzido não deve ser medido apenas pela quantidade de quilos eliminados, mas pela capacidade de preservar a saúde, a força e a funcionalidade do organismo. Mais do que alcançar um peso específico, o objetivo é construir hábitos que possam ser mantidos a longo prazo, com equilíbrio e qualidade de vida.




