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Dr. Diogo Viana alerta sobre implantes hormonais e como separar a medicina séria de falsas promessas: “vender como milagre estético só faz mal”

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O anestesiologista e mestrando em ginecologia defende o uso clínico dos implantes para quem realmente precisa e explica a diferença entre o tratamento médico sério para menopausa e as falsas promessas de emagrecimento que inundam as redes sociais.

Nos consultórios, nas redes sociais e nas clínicas espalhadas pelo país, o implante hormonal virou assunto do momento. De um lado, influenciadores vendendo promessas de emagrecimento, ganho de massa muscular, melhora da libido e rejuvenescimento associado ao controverso termo “chip da beleza”. De outro, entidades médicas reagindo com proibições e alertas severos. No meio desse fogo cruzado, pacientes que realmente precisam de tratamento muitas vezes ficam confusos e sem saber como diferenciar profissionais sérios de promessas vazias.

Para o Dr. Diogo Viana, médico anestesiologista, mestrando em Ginecologia na UNIFESP e vice-presidente da SBEMO (Sociedade Brasileira de Medicina da Obesidade), essa polarização atual acaba ocultando o que a ciência já consolidou há quase um século: o implante hormonal não é um milagre estético e nem uma invenção perigosa; é apenas uma via de administração de medicamentos. E o problema não está na via de administração em si, mas na forma como ela vem sendo vendida fora do contexto terapêutico.

“Implante hormonal é uma via de administração de hormônio. Nada mais, nada menos. Tratado como ferramenta médica, ajuda muita gente. Vendido como milagre estético, só faz mal”, afirma. Segundo ele, o debate tem sido contaminado por dois extremos, a banalização e a demonização do método. “O que mais me preocupa são os dois extremos do debate, que curiosamente cometem o mesmo erro. De um lado, quem promete o que a medicina não promete como emagrecimento, estética, libido, performance. De outro, quem condena a via por interesse de mercado e, ao fazer isso, reforça justamente a ideia de que implante é ‘coisa de estética’, apagando suas indicações terapêuticas reais”, pontua.

“Chip da beleza” não existe e implante hormonal não é atalho para emagrecer

Um dos principais alvos de crítica do médico é o termo “chip da beleza”, que, segundo ele, distorce a natureza do tratamento. “”Chip da beleza’ é um nome equivocado em todos os sentidos. Primeiro, não é um chip. É um dispositivo de liberação lenta de hormônio, descrito na literatura médica desde os anos 1930 e 40 e usado mundialmente como via de administração”, explica.

Na avaliação do médico, o problema se agrava porque a expressão ficou muito associada à estética. “O termo virou sinônimo de estética e isso é perigoso, porque quem demoniza e quem banaliza partem da mesma premissa falsa de que existe um hormônio que entrega corpo seco e musculoso com facilidade. Não existe. Nenhum hormônio garante resultado estético”, afirma.

Ainda segundo o especialista, a associação entre implantes hormonais e emagrecimento é uma das maiores distorções em torno do tema. “Implantes hormonais não têm praticamente nenhuma associação ao emagrecimento ou estética e performance.”, diz. Ele explica que até os esteroides anabolizantes, em contexto médico, foram desenvolvidos para tratar perda de força muscular, e não para transformar composição corporal ou ganhar músculos.

“Em doses terapêuticas, o que eles fazem é aumentar a força, reduzir o tempo de recuperação entre os exercícios e favorecer o aproveitamento de nutrientes pelo músculo. Mas não produzem ganho expressivo de massa muscular”, esclarece. Já o efeito estético prometido em muitas clínicas, segundo ele, só aparece com abuso hormonal. “O ganho de massa que as pessoas imaginam só aparece com doses muito acima do limite fisiológico, às vezes seis vezes maiores. O problema é que essas doses trazem riscos graves, principalmente cardiovasculares. Ou seja, o que vende a fantasia estética não é tratamento, é abuso”, alerta.

O que separa tratamento sério de promessa perigosa

Para o médico, a diferença entre um tratamento hormonal responsável e uma conduta arriscada está na finalidade da prescrição. “Implante hormonal sério é aquele usado com objetivo terapêutico claro, na dose certa, por indicação médica. Tratamento perigoso é o oposto, com dose excessiva, sem respaldo, sem diagnóstico, prometendo estética ou performance”, resume.

O especialista também aponta o principal sinal de alerta para pacientes ficarem atentos, que é a promessa sem indicação clínica e promessas de longevidade, emagrecimento, estética e performance. Nada disso é indicação para tratamento com implantes hormonais. “A via de administração não muda o mecanismo de ação do hormônio. Colocar a substância num implante não a transforma num produto de emagrecimento ou de performance. Se alguém promete isso, está prometendo algo que a farmacologia não entrega”, reforça.

Quando o implante hormonal faz sentido

Apesar das críticas ao uso banalizado, o médico ressalta que o implante hormonal é muito útil em situações específicas. “E é aí que a discussão honesta importa. Em linhas gerais, são pacientes em que as vias convencionais falharam ou se mostraram inadequadas, como mulheres com doenças ginecológicas que precisam de doses mais altas e contínuas; pacientes que respondem bem ao fármaco, mas têm efeito colateral ligado à via oral; mulheres com menopausa precoce ou insuficiência ovariana prematura; e casos de falha de adesão”, explica.

Ainda assim, ele destaca que implantes não costumam ser a primeira escolha. “Nunca é a primeira escolha. Na menopausa, a primeira opção para o estradiol, por exemplo, é a via transdérmica, seja gel ou adesivo. Para os progestagênios usados em doenças ginecológicas, a preferência é a via oral ou local como DIU hormonal. O implante vem depois, quando essas vias não funcionaram ou não foram bem toleradas”, destaca.

Outro ponto reforçado pelo especialista é que o perigo não está no implante como dispositivo, mas na substância, na dose e na ausência de acompanhamento médico sério. “As contraindicações do implante são as mesmas da substância que ele libera, não existe contraindicação ‘do implante’ em si, e sim do hormônio. Com compostos androgênicos em dose excessiva, podem surgir sinais de virilização: acne, alteração de pelos, engrossamento da voz. Por isso eu insisto num ponto, o perigo não está no implante em si, e sim combinações de molécula erradas, em doses erradas e na ausência de acompanhamento”, afirma.

Para quem está considerando o tratamento com implante hormonal, o médico aconselha que pacientes façam perguntas, como: outras vias foram tentadas antes? Qual é o motivo clínico concreto para escolher o implante? E, acima de tudo, desconfiar de promessas estéticas.

Por fim, Dr Diogo Viana recomenda para quem quer cuidar da saúde sem cair no marketing disfarçado de ciência deve buscar profissionais qualificados. “Busque médicos qualificados e não acredite em promessas de estética, performance ou longevidade. Lembre-se de uma coisa simples: o hormônio não muda seu mecanismo de ação só porque mudou a via de administração. Desconfie de quem precisa te convencer a usar implante. Se a indicação for real, você vai entender o porquê, com clareza e sem pressão”, conclui.

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