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95% dos projetos de IA generativa não geram retorno, mas a Crosoften traz resultados reais com metodologia

Fundada em 2003 e com mais de 2.500 projetos entregues, a Crosoften, empresa brasileira de engenharia de software, aposta em prazo fechado, segurança jurídica e payback medido para tirar a inteligência artificial do discurso e levá-la ao resultado

Fundada em 2003 e com mais de 2.500 projetos entregues, a Crosoften, empresa brasileira de engenharia de software, aposta em prazo fechado, segurança jurídica e payback medido para tirar a inteligência artificial do discurso e levá-la ao resultado

A inteligência artificial virou item obrigatório na pauta dos conselhos. Agentes de IA e IA generativa lideram a agenda estratégica das empresas brasileiras, citados como prioridade por 53% dos executivos, segundo o estudo Mercado Brasileiro de Software, da ABES com dados da IDC. Quatro em cada dez companhias já investem em agentes, e outro terço pretende começar a investir.

O entusiasmo, porém, convive com um número incômodo. Relatório da iniciativa NANDA, do MIT, mostrou que 95% dos projetos corporativos de IA generativa não geram ganho mensurável de receita ou eficiência. A Gartner, por sua vez, projeta que mais de 40% dos projetos de IA agêntica serão cancelados por custos crescentes, valor de negócio pouco claro ou controles de risco inadequados.

O mesmo levantamento do MIT aponta onde está a diferença: projetos conduzidos com fornecedores especializados têm taxa de sucesso próxima de 67%, enquanto os desenvolvidos apenas internamente chegam a um terço dessa taxa.

É nesse espaço, entre a promessa e a entrega, que a Crosoften construiu seu posicionamento.

De portal de buscas a engenharia de software

Fundada em 2003 como portal de buscas e publicidade online, a Crosoften se reinventou ao longo de duas décadas e hoje atua como empresa de engenharia de software, com uma estrutura de cerca de 800 desenvolvedores. A empresa desenvolve aplicativos, plataformas web e soluções de inteligência artificial sob medida, atende clientes em mais de 10 países, tem operação no Brasil, no Chile e no Panamá e já entregou mais de 2.500 projetos. Segundo a empresa, avaliação feita por uma das maiores auditorias corporativas do mundo estimou o valor da Crosoften em mais de R$ 120 milhões. No portfólio aparecem marcas como Porsche, Carrefour, Santander e iFood.

“A inteligência artificial deixou de ser vitrine. O executivo hoje não pergunta se dá para fazer; pergunta em quantos meses o projeto se paga”, afirma Rafael Melo, diretor técnico da Crosoften.

Contrato antes do código

Se o mercado tropeça na passagem do piloto para a produção, a Crosoften tenta resolver o problema antes da primeira linha de código. “Funcionamos como uma empreiteira de projetos digitais: a obra só sai do papel com o projeto fechado”, compara o executivo. O processo começa com acordo de confidencialidade (NDA), segue para um diagnóstico técnico e de riscos e só então chega à proposta, com escopo, preço e prazo fechados. A entrega é feita, em média, em 60 dias, com pagamentos por etapa e garantia de cinco anos contra bugs e defeitos de desenvolvimento.

“A maioria dos projetos de IA não falha por causa do modelo. Falha porque começou sem escopo, sem dono e sem um contrato que proteja as duas partes”, diz Rafael Melo. “Prazo fechado obriga disciplina. Em 60 dias não cabe experimento sem fim. Cabe um problema real resolvido.”

O desenho inclui uma frente pouco comum entre software houses: a jurídica. A empresa trabalha com especialistas em direito digital e adequação à LGPD desde o início do projeto, em vez de tratar a proteção de dados como ajuste de última hora. Em um cenário em que agentes de IA acessam dados de clientes, tomam decisões e movimentam operações, o tema deixou de ser burocracia. Não por acaso, controles de risco inadequados estão entre os motivos que a Gartner aponta para o cancelamento de projetos de IA agêntica.

“Um agente de IA mexe com dado de cliente, com decisão e com dinheiro. Sem governança e LGPD desenhadas desde o primeiro dia, o risco é maior que o ganho”, afirma o executivo.

Onde a IA paga a conta

Outro achado do MIT reforça a estratégia: mais da metade dos orçamentos de IA generativa vai para vendas e marketing, mas o maior retorno aparece em áreas administrativas e de suporte, como a automação de processos internos. É nesse tipo de frente, com foco em reduzir retrabalho e erro humano, que a empresa diz concentrar os ganhos medidos em seus projetos.

Segundo a Crosoften, projetos estruturados com esse foco costumam se pagar, em média, em três meses. “O caminho não é transformar a empresa inteira de uma vez. É escolher o processo que mais dói, resolver bem, medir e então escalar”, resume Rafael Melo.