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Consultorias de investimento mais que dobraram desde 2020 e se tornam a principal escolha para o cliente de R$ 300 mil a R$ 30 milhões

País chegou a 2.433 consultores de valores mobiliários em julho, com estoque crescendo entre 22% e 27% ao ano desde 2023 e recorde de 663 novos registros em 2025. Transparência de remuneração e avanço do modelo fee based explicam a expansão, que ainda parte de uma base 11 vezes menor que a dos assessores

País chegou a 2.433 consultores de valores mobiliários em julho, com estoque crescendo entre 22% e 27% ao ano desde 2023 e recorde de 663 novos registros em 2025. Transparência de remuneração e avanço do modelo fee based explicam a expansão, que ainda parte de uma base 11 vezes menor que a dos assessores

A consultoria de valores mobiliários, atividade que passou três décadas como nicho no mercado brasileiro, entrou em fase de expansão. O Brasil chegou a 2.433 consultores pessoa física em funcionamento normal em julho de 2026, e o estoque da categoria cresce entre 22% e 27% ao ano desde 2023, segundo levantamento feito a partir dos cadastros públicos da CVM (Comissão de Valores Mobiliários). A marca de 1.000 registros só foi ultrapassada em 2022; desde então, as entradas anuais subiram de 311 para 391 em 2023, 524 em 2024 e um recorde de 663 em 2025. Até 15 de julho deste ano, foram 403 novos registros contra 102 cancelamentos.

O movimento se repete entre as pessoas jurídicas. O número de consultorias registradas mais que dobrou em cinco anos, de 261 em 2020 para 593 em 2024, segundo dados compilados pela Mont Capital e divulgados pelo NeoFeed, com São Paulo concentrando mais de 400 delas. Pela contagem da CVM, o saldo líquido de empresas foi positivo em 89 registros em 2024 e em 108 em 2025, o maior da série, e chegou a 51 até meados de julho de 2026.

A quantidade de profissionais em cada uma das atividades, porém, segue muito diferente: são 26.092 assessores de investimento pessoa física ativos, cerca de 11 para cada consultor. A diferença explica por que o investidor de alta renda ainda encontra primeiro o assessor e por que nem sempre compreende o que o consultor faz. Essa é a leitura da VAROS, consultoria de investimentos autorizada pela CVM que atende investidores de alta renda com fee sobre o patrimônio e sem comissão por produto oferecido de banco, corretora ou gestora.

“O crescimento é uma reação à mudança na transparência da cobrança. Quando o investidor passa a entender como o modelo comissionado funciona e que a assessoria não é de graça, a comparação favorece o modelo das consultorias, que são mais alinhadas ao objetivo do cliente”, afirma Leandro Siqueira, sócio-fundador da VAROS.

O que mudou em 2024

O ponto de inflexão coincide com a Resolução CVM 179, que colocou a transparência de remuneração no centro da relação entre investidor, intermediário e profissional. Desde novembro de 2024, corretoras e bancos precisam informar quanto recebem com cada produto recomendado e enviar ao cliente um extrato trimestral consolidado. O assessor, regulado pela Resolução CVM 178, atua como preposto do intermediário e é remunerado pela distribuição. O consultor, regulado pela Resolução CVM 19, presta orientação independente e individualizada e é remunerado pelo cliente, em geral com base em um percentual sobre o patrimônio. Pela regulação, um mesmo profissional não pode exercer as duas atividades ao mesmo tempo.

A faixa em disputa

O público que sustenta a expansão da consultoria é específico. Abaixo de algumas centenas de milhares de reais, o fee tende a pesar mais do que o custo embutido no modelo comissionado, o que faz o assessor seguir sendo a porta de entrada. Acima dos R$ 30 milhões, as famílias costumam ter family office ou estrutura própria. No meio, está o investidor com patrimônio entre R$ 300 mil e R$ 30 milhões, com uma carteira desalinhada em relação aos seus objetivos reais, geralmente com muito crédito privado, COE (Certificado de Operações Estruturadas) e fundos estruturados, correndo muito mais risco do que o necessário.

“A disputa real é pela faixa entre R$ 300 mil e R$ 30 milhões. Abaixo disso, o fee pesa mais do que o custo embutido; acima, a família costuma montar estrutura própria. É nessa faixa intermediária que o investidor já tem patrimônio suficiente para a estrutura de incentivo do profissional fazer diferença no resultado, e é onde tanto o cliente quanto a consultoria saem ganhando”, diz Siqueira.

Nem todas vão sobreviver

A facilidade de entrada não acaba com um problema: metade das novas consultorias não deve sobreviver sem escala, segundo reportagem do NeoFeed já citada. O registro na CVM exige compliance e um responsável certificado, mas não exige análise própria, e parte das novas casas opera sobre relatórios de terceiros, o que barateia a abertura e dificulta justificar o fee quando o cliente compara.

A VAROS, que nasceu como casa de educação financeira e montou um braço de research com analistas CNPI setorizados antes de operar consultoria, é um exemplo do modelo verticalizado. A empresa acredita que a diferenciação do setor não ocorrerá com base em produto ou preço, fatores que tendem a convergir, e sim por quem consegue entregar o melhor resultado de forma consistente para os objetivos individuais de cada cliente.

“Para quem está escolhendo, são três perguntas: se existe conflito de interesse desse profissional, como ele é remunerado e quem está mais alinhado aos meus objetivos. As respostas separam os modelos melhor do que qualquer apresentação”, afirma o sócio-fundador da VAROS.

Para o investidor da faixa em disputa, o crescimento do setor amplia as alternativas e exige mais atenção com o modelo de contratação, a forma de remuneração, os vínculos do profissional e os serviços que, de fato, estão sendo prestados.